Leio, ouço muita gente reclamando das amizades.
Será que sabemos sinceramente o que é?
Eu acreditava que amizade era estar junto em qualquer situação,
seja em alegrias, em momentos tristes ou mesmo à distância.
Mas subi muito alto e caí feio!
Eu tinha “amigas” de infância, sempre juntas, nos encontros como
churrascos no verão, na minha piscina, ou nos aniversários, os filhos crescendo
juntos e eu apoiando e ajudando qaundo elas precisavam.
Eu era o "ombro amigo para ouvir problemas ou choro” durante
todo tempo, eu era a forte, a alegre, que tinha problemas corriqueiros da vida,
mas não contava para ninguém.
E assim foi por quase toda minha vida, quase, porque quando meu
filho foi morar fora do país (bem longe), eu desabei.
Feliz por ele realizar o sonho dele com a esposa. E triste
demais porque eu sabia que não ia vê-lo semanalmente, em nossos almoços e
conversas pelo telefone.
Isso foi em 2006, a família e alguns amigos no Aeroporto. Depois
que o avião decolou, vim chorando até em casa.
Quatro dias depois viajei com Husband e as “amigas e seus
husband” para passar uns dias numa ilha.
Eu tentando me manter durona, aproveitando os passeios e a
beleza da natureza do lugar, mas bastou um escorregão que levei numa trilha, que
fazíamos para chegar numa praia linda.
Ralei minha canela, meu joelho, braços e aí chorei muito, de
dor, de vontade de chorar mesmo e depois de espanto, porque me falavam: não foi
nada, não precisa chorar, você é forte, é guerreira ……..
Quando cheguei na praia, o rapaz da única barraquinha que
existia lá, me ajudou colocando um remedinho para acalmar a dor. E continuei o
passeio, tomando banho de mar e uma caipirinha para sossegar meu coração ….
Na volta o rapaz nos trouxe de barco, para que eu não caminhasse
na trilha, que estava escorregadia.
Enfim, fiquei sem paciência, chata, mas continuei a curtir os
passeios só com Husband, porque as “amigas” se afastaram da minha chatice.
Voltamos para casa e elas se juntaram (não eram tão ligadas
assim) e telefonavam para dizer que eu estava errada, não deveria me irritar e
ainda faziam chacota da minha dor e saudades do meu filho. Fiquei pasma.
Sofri o dobro, entrei em depressão, fui parar em médicos, tomar
remédios para dormir …
Uns nove anos depois (há uns meses atrás), uma delas me
encontrou na rua e convidou para ir na casa dela, porque gostava muito de mim e
não sabia por tínhamos nos separado.
Eu a tratei muito bem e disse que estava muito ocupada, não
estava saindo de casa.
E eu nunca fui nem irei. Para mim elas são invisíveis, não
existem mais, não tenho sentimento nenhum por elas.
E vida que segue.
Tenho muitas pessoas com quem convivo (real ou virtual), são
pessoas conhecidas que gosto muito (não sei se gostam tanto assim de mim), tenho
prazer em ajudar, continuo tratando bem como sempre fiz e sendo sincera com
todos, mas a palavra Amizade ainda vai ficar longe do meu dicionário.
Quem sabe um dia alguém a colocará lá de novo.
Há muito precisava escrever sobre esse acontecido, aqui no
blog.
Contei para todos saberem que essas decepções acontecem com
qualquer pessoa. Já li alguns relatos.
Foi uma nuvem carregada, cinzenta, que passou e espero que não
volte nunca mais.
E vamos seguinte em frente, a vida é bonita, é bonita e é
bonita!
Até a próxima.